Categorias das cidades: como elas podem influenciar sua obra

Categorias das cidades

 

As categorias das cidades como conhecíamos estão mudando, acompanhando o desenvolvimento social, cultural e tecnológico. Por isso, precisamos estar sempre atentos sobre cada uma delas e suas características para que nossas construções sejam cada vez mais assertivas e prosperem.

Seja um edifício residencial, uma empresa, uma indústria, um parque ou um estacionamento, antes de construir é preciso ter em mente algumas coisas: para quê, para quem, como, quando e por quê colocar determinado projeto em prática. As categorias das cidades têm total relação com isso.

Se você é dono de uma indústria, possui uma sede e quer construir uma filial em outra cidade com certeza, junto à sua equipe, fez um estudo detalhado que responde a todas essas questões. 

Mas será que durante todas as pesquisas vocês pararam para pensar sobre os arquétipos, também chamados categorias, da cidade onde pretendem construir? E mais, será que sabem, de fato, quais são as categorias das cidades onde já possuem construções? 

Vamos dar uma olhadinha em cada uma?

As categorias das cidades

categorias das cidades
Foto aérea de São Paulo. Foto: Lucas Marcomini

Quando pensamos em Geografia Urbana, aquela que estudamos na escola mesmo, temos em mente o conceito de Hierarquia Urbana. Nela as cidades são classificadas da seguinte forma:

Metrópoles mundiais ou globais: influenciam pessoas em todo o planeta, geralmente são grandes centros econômicos e/ou turísticos, como Paris, Nova York, Londres, São Paulo e Rio de Janeiro. 

Metrópoles nacionais: influenciam todo o território nacional, determinam importantes aspectos da vida cultural, científico, social e econômicos. No Brasil, temos São Paulo e Rio de Janeiro como exemplos. 

Metrópoles estaduais: influenciam o território dos estados onde estão localizadas e, muitas vezes, sobre extensas áreas de estados vizinhos, como Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre.

Metrópoles regionais: são cidades com mais de 1 milhão de habitantes que abrigam atividades econômicas diversificadas, mas possuem menor influência que as metrópoles nacionais. Exemplo: Belém, Goiânia, Manaus. 

Capitais regionais: são cidades de grande e médio porte que exercem influência sobre um grande número de municípios à sua volta. Apesar do nome, podem não ser capitais de estados. Também não são consideradas metrópoles, mas possuem um razoável número de indústrias, prestadores de serviços (hospitais, médicos, universidades etc.). A exemplo de Campo Grande, Ribeirão Preto e Cuiabá. 

Centros regionais: são cidades de porte médio que estão sob a influência de capitais regionais, mas que exercem influência sobre várias cidades menores em seu entorno. 

Centros locais: são os centros urbanos espalhados por todo o país, que exercem influência apenas sobre a área de seu município.

Rede urbana: ligações que as cidades estabelecem entre si, formando uma hierarquia natural, cuja importância é medida de acordo com a área e abrangência de cada uma, estabelecida pela prestação de serviços e pela concentração de atividades que a mesma possui.

As novas categorias das cidades

categorias das cidades
Foto aérea de Chicago, Estados Unidos. Foto: Pedro Lastra

Essas categorias das cidades que acabamos de (re)lembrar, são básicas. Fazem parte de nossos estudos ao longo da vida e, mais que isso, são muito generalistas. Isso porque sabemos que cada cidade possui suas peculiaridades mas, ao mesmo tempo, existem outras diversas características em comum. 

E não é só, precisamos levar em consideração que o mundo já começou a mudar faz tempo e nós precisamos pensar de forma diferente, acompanhar os desenvolvimentos tecnológicos, estar a par das modernidades, nos preocuparmos com o bem estar e qualidade de vida – tanto pessoal quanto profissional. 

Os modelos de negócios de 10, 15, 20 anos atrás já estão extremamente ultrapassados. E se você ainda possui uma mentalidade de negócios da época dos nossos pais e/ou avós, é bom ficar esperto, para não ficar para trás. 

E é claro, com tantas mudanças em todos os âmbitos, áreas, nichos… não é nada surpreendente que as próprias cidades, enquanto organismos vivos, tenham mudado (e muito!). 

Foi pensando nisso que a Royal Dutch Shell (sim, a empresa de combustíveis mesmo) pesquisou, analisou e elaborou 6 arquétipos (ou categorias) de cidades, através de um novo olhar, para quem pensa no futuro. 

As categorias de cidades foram analisadas e separadas de acordo com 5 características, sendo elas: localização, energia, mobilidade, moradia e economia. Em seguida vamos detalhar cada categoria, confira:

Centro Urbano em Desenvolvimento

Centro urbano em desenvolvimento: população baixa, GDP baixo, densidade média/baixa
Exemplos: Marraquexe, Nanchong, Cidade do Panamá. Fonte: Shell.

São centros urbanos menos populosos, relativamente extensos, são encontrados em maior número que qualquer outro tipo de cidade. Além disso, muitos já estão maduros para o desenvolvimento e rápida urbanização para as próximas décadas mas, ainda assim, enfrentam importantes desafios recorrentes. 

Localização: esses centros urbanos menores se espalham por muitos países em desenvolvimento pelo mundo.

Energia: a população não utiliza grande quantidade de energia já que, normalmente suas moradias são pequenas e a eletricidade não é tão utilizada quanto em cidades mais ricas. A indústria suga muito do fornecimento de energia.

Mobilidade: o transporte público e rodovias costumam deixar a desejar, em muitos casos são praticamente inexistentes. A maioria das pessoas não se importam em caminhar ou utilizar bicicletas e motos para se locomover. 

Moradia: as casa tendem a ser pequenas e, muitas vezes, sem eletricidade. Como o desenvolvimento urbano em maior escala ainda tem que ser feito, os subúrbios de menor densidade irradiam para fora do centro. 

Economia: diferentemente das economias baseadas em serviços das cidades maiores e mais prósperas, a maioria dos residentes aqui é empregado por apenas algumas grandes indústrias.

Megacentro em Desenvolvimento

Megacentro em desenvolvimento: população alta, GDP baixo, densidade baixa
Exemplos: Pequim, Nairóbi, Buenos Aires. Shell.

São cidades em rápido crescimento e densamente povoadas podem se tornar as usinas urbanas do futuro. Porém, o seu rápido crescimento, geralmente por causa da industrialização recente e agressiva, podem enfrentar muitos desafios importantes nas próximas décadas. 

Localização: são cidades encontradas no mundo em desenvolvimento. Muitas estão na China, uma das economias com crescimento mais rápido no mundo.

Energia: estão se tornando centros regionais de comércio, mas o uso de energia ainda é relativamente moderado, principalmente por causa dos baixos salários da maioria das pessoas. O uso de energia é igualmente dividido entre moradia, transporte e indústria.

Mobilidade: o transporte público deixa muito a desejar, como resultado de planejamento e desenvolvimento inadequados. A maioria das pessoas precisa usar seus carros para se locomover.

Moradia: apesar da renda se manter relativamente baixa na população como um todo, os lares estão ficando maiores com a melhora gradual da prosperidade. Aqueles que possuem os menores salários vivem em moradias aglomeradas perto do centro, e os que ganham melhor vivem em acomodações mais espaçosas nos arredores da cidade.

Economia: as constantes mudanças nessas cidades fazem com que a economia de cada uma seja uma mistura de serviços, produção, agricultura e turismo. 

Comunidade Próspera

Comunidade próspera: população baixa, GDP alto, densidade média/baixa
Exemplos: Valencia, Dubai, Amsterdã. Fonte. Shell.

As pessoas que vivem em comunidades prósperas têm salários altos e muito espaço para viver e trabalhar. Apesar disso, as populações nessas cidades são consideravelmente mais baixas, normalmente entre 750 mil  e 3 milhões.

Localização: estão presentes em todos os cantos do mundo, inclusive em países orientais desenvolvidos, como a Coreia do Sul e Japão. 

Energia: por causa dos altos padrões de riqueza e de vida, essas cidades usam muita energia. De acordo com um estudo realizado em 2010, essa categoria de cidade consome 26% do fornecimento de energia do mundo, sendo que a maior parte é utilizada para abastecer os carros e as casas das pessoas. 

Mobilidade: apesar de a maioria das cidades dessa categoria oferecer transporte público bem estabelecido, a maioria das pessoas preferem utilizar seus carros, o que é possível pelas extensas redes de rodovias bem conservadas e áreas residenciais de baixa densidade. 

Moradia: apesar de existirem áreas de maior densidade no centro, a maior parte das pessoas mora em subúrbios bem conservados e de baixa densidade. As casas costumam ser grandes e espaçosas, o que faz dessas algumas das cidades mais agradáveis do mundo para se viver. 

Economia: comunidades prósperas são, muitas vezes, baseadas em indústrias especializadas. Não é incomum que a maior parte dos residentes seja empregado por uma ou duas grandes empresas.

Cidade densamente povoada

Cidade densamente povoada: população alta, GDP baixo, densidade alta
Exemplos: Manila, Lagos, Lima. Fonte: Shell.

São cidades intensamente habitadas, com moradias aglomeradas e vastas favelas. Apesar das pessoas serem desfavorecidas em comparação ao mundo desenvolvido, essas cidades estão crescendo rapidamente. Com planejamento e gestão, esses centros urbanos podem se tornar as usinas do futuro. 

Localização: são encontradas principalmente no mundo em desenvolvimento na Ásia e na África.

Energia:  a utilização é relativamente moderada devido ao baixo poder aquisitivo e à infraestrutura subdesenvolvida, com um restrito fornecimento de energia como  realidade para boa parte da população.

Mobilidade: muitas cidades lotadas se expandiram rapidamente sem um planejamento eficaz. Com isso, as rodovias e o transporte público tendem a ser inadequados e sobrecarregados pelo enorme número de pessoas.

Moradia: muitas pessoas vivem em densas favelas sem a infraestrutura básica que muitos no mundo desenvolvido consideram algo garantido. Apesar disso, é possível encontrar áreas com habitações de melhor qualidade por essas cidades, geralmente produto de investimentos privados.

Economia: a industrialização ainda tem que se estabelecer nessas economias, que têm o foco voltado para comércio, agricultura e fabricação tradicional.

Metrópoles em expansão 

Metrópole em expansão: população alta, GDP alta, densidade baixa
Exemplos: Londres, Rio de Janeiro, Los Angeles. Fonte: Shell.

Grandes cidades que ocupam vastos territórios e são encontradas em muitos países desenvolvidos pelo mundo. Geralmente, a população dessas cidades são de 3 a 5 milhões, os habitantes possuem salários altos e casas grandes, e a maioria vive em subúrbios de baixa densidade.

Localização: várias metrópoles em expansão, como Los Angeles e Houston, são cidades americanas modelo, com subúrbios prósperos que se expandem por uma grande área. Mas, na realidade, há muitas dessas cidades em todo o mundo, principalmente em países desenvolvidos com economias industriais modernas.

Energia: por causa de seus vastos territórios, habitação de baixa densidade e relativa riqueza, essas cidades consomem uma tremenda quantidade de energia. Um estudo em 2010 constatou que metrópoles em expansão utilizam 38% do total de energia fornecida no mundo, sendo a maior parte consumida no abastecimento de carros e casas das pessoas.

Mobilidade: apesar dos sistemas de transporte público modernos, os carros são o principal meio de locomoção da maioria das pessoas. Dirigir se torna mais fácil por conta das longas e bem conservadas redes de rodovias e porque, para a maioria dos cidadãos, ter um carro é algo acessível.

Moradia: ainda que haja áreas de maior densidade nos centros dessas cidades, a maior parte das pessoas moram em subúrbios que se estendem por muitos quilômetros. A grande prosperidade aqui leva as pessoas a desejarem ter mais espaço. Isso, combinado às políticas de planejamento relativamente livres, contribui para que a expansão dos subúrbios continue.

Economia: essas cidades são tipicamente baseadas em serviços de alto valor, como tecnologia e finanças, com as indústrias sendo terceirizadas ou afastadas para fora dos limites da cidade.

Usina urbana

Usina urbana: alta população, GDP alto, densidade alta.
Exemplos: Hong Kong, Cingapura, Nova Iorque. Fonte: Shell.

Cidades densamente povoadas, tanto quanto são ricas, uma conquista relativamente rara para os padrões atuais.Produtos do desenvolvimento feito de forma controlada e bem-sucedida em décadas recentes, elas têm uma posição influente como importantes centros comerciais em suas regiões.

– Localização: muitas usinas urbanas como Hong Kong se desenvolveram em ilhas, e esse isolamento relativo tende a mantê-las livres do impacto negativo das crises políticas, econômicas e sociais em suas regiões.

– Energia: apesar de maior prosperidade significar um alto consumo de energia, isso não tem um grande impacto global devido ao número relativamente pequeno de usinas urbanas (oito, para ser exato). A grande população utiliza muita energia no aquecimento e resfriamento de casas e escritórios.

– Mobilidade: os sistemas de transporte público nessas cidades costumam ser modernos e bem desenvolvidos, com redes complexas de bondes, trens e ônibus servindo a milhares de pessoas todos os dias. Mas as rodovias ficam com o tráfego constantemente congestionado devido à quantidade de pessoas que possuem carros.

– Moradia: usinas urbanas tendem a ser mais densamente povoadas no seu centro, com habitações compactas e desenhadas de maneira eficiente. Apesar do tamanho considerável das áreas de periferia, políticas de planejamento continuam mantendo em xeque a expansão dos subúrbios.

– Economia: a maior parte dos empregos nos centros das cidades é dominada por indústrias de serviços como a de finanças, com maior presença de indústrias especializadas e altamente qualificadas nos arredores.

Agora que já sabemos e identificamos as diferenças entre as categorias das cidades, podemos refletir e analisar melhor as nossas próprias cidades. 

Trabalhando um novo olhar, com perspectivas futuras, pensando as novas construções com aspectos e características que acompanhem o desenvolvimento urbano, social, econômico e tecnológico de cada uma. 

Dessa forma, poderemos trabalhar investimentos e empreitadas mais prósperas e assertivas.

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