Cidades inteligentes: pensando nas cidades do futuro

  |   por

      A ideia de edifícios e cidades inteligentes já existe há algum tempo, mas o conceito ainda é…

 

 

 

A ideia de edifícios e cidades inteligentes já existe há algum tempo, mas o conceito ainda é amplamente teórico e permanece em debate acerca de sua definição. Ou seja, quando falamos em smart cities, isso pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes.

Algumas definições do termo giram em torno do uso de tecnologias como a Internet das Coisas (IoT), que coletam dados e os utilizam para gerenciar operações de edifícios e instalações, enquanto outras olham mais amplamente para a eficiência energética e melhor bem-estar do usuário.

O que sabemos é que buscamos cidades e edifícios inteligentes para atender às futuras necessidades dos usuários finais em todas as áreas que afetam a vida urbana, com o objetivo de tornar as grandes cidades mais eficientes, limpas, sustentáveis e habitáveis.

Dessa forma, uma cidade inteligente é estruturada para aproveitar os recursos das tecnologias 4.0 para conectar, proteger e melhorar a vida de seus cidadãos. Ao aproveitar as tecnologias da informação (TI), uma cidade inteligente coleta e analisa dados de vários canais para “sentir” o ambiente da cidade, fornecendo informações em tempo real. Em outras palavras, a tecnologia é utilizada como ferramenta para ajudar governos, empresas e cidadãos a tomar melhores decisões e melhorar a qualidade geral de vida a partir de toda a informação disponibilizada.

Ao aproveitar essas tecnologias, as cidades inteligentes resolvem problemas urbanos do mundo real, como transporte público, conectividade de TI, abastecimento de água e energia, saneamento eficiente, gestão de resíduos sólidos e mobilidade urbana. Em algumas cidades inteligentes em expansão, como Singapura, Shenzhen e Dubai, a ampla definição de smart city também significa uma melhoria da governança eletrônica e uma maior participação do cidadão.

Construindo uma cidade inteligente

No desenvolvimento de uma cidade inteligente, podemos – e devemos – levantar alguns pontos como focos principais do estudo, que serão premissas na concepção e coordenação  dos projetos: qualidade do ar, arquitetura de comunicação, ambiente, iluminação, estacionamento, Wi-Fi público, segurança e proteção, transporte e mobilidade urbana, gestão de resíduos e gestão de água.

Em um relatório recente desenvolvido pelo Eden Strategy Institute, de Singapura, a organização conduziu uma pesquisa extensa sobre os 50 principais governos de cidades inteligentes, discutindo os principais fatores envolvidos em uma estrutura urbana moderna e eficiente.

Confira a seguir as principais medidas nesse processo:

Uma estratégia de orçamento eficaz

O desenvolvimento de uma visão de cidade inteligente envolve vários estágios: definir os conceitos mais relevantes de smart city, planejar como se dará a aplicação desses recursos em um roteiro a longo prazo, elaborar o envolvimento de investidores e aí sim priorizar as iniciativas.

Segundo o relatório, um projeto eficaz de cidade inteligente envolve os seguintes passos:

  • Fazer um balanço dos pontos fortes e ativos naturais de uma cidade;
  • Engajar-se com os cidadãos ao determinar as áreas de desenvolvimento e as metas do projeto;
  • Encorajar o envolvimento do setor privado no projeto;
  • Identificar as áreas de foco a fim de priorizar as oportunidades disponíveis;
  • Garantir que cada iniciativa seja planejada, sequenciada e validada por todas as partes envolvidas.

Quando se trata de desenvolver uma cidade inteligente, as limitações orçamentárias geralmente restringem o ritmo no qual as cidades podem concretizar seu potencial de desenvolvimento. As 50 principais cidades recorreram a formas mais inovadoras de se financiar, incluindo competições e hackathons, parcerias com empresas privadas, políticas de compras inteligentes ou a utilização de fundos nacionais ou estaduais. Em muitos casos, essas estratégias foram usadas de forma combinada para melhorar os resultados da estruturação do funding.

Com o planejamento correto, as cidades inteligentes têm o potencial de transformar sua habitabilidade, renovar sua economia e patrimônio, aumentar sua resiliência e sustentabilidade e até mesmo estreitar o pacto social com o governo e entre os cidadãos.

Inclusão digital: força de trabalho inteligente e dados abertos

Uma cidade só se torna verdadeiramente inteligente quando todos os cidadãos estão prontos pra isso. Os planejadores urbanos e inovadores podem desenvolver personas* do ‘cidadão inteligente’ ideal enquanto preparam os planos para suas cidades. 

Frequentemente, eles presumem que todos os cidadãos têm acesso à internet e são conhecedores de tecnologia o suficiente para usar e interagir com os espaços e serviços da cidades. No entanto, a realidade apresenta uma gama mais complexa de usuários da cidade, e aí surge o risco de excluir segmentos inteiros de sua população da experiência de smart city se não forem feitos esforços para preencher a “carência digital”.

Dessa forma, é importante que cada grupo dentro da cidade seja contabilizado para garantir a adoção integral de todos os recursos tecnológicos proporcionados. Isso significa fornecer acessibilidade à internet e aos dispositivos para aproveitar esses recursos, assim como garantir as habilidades tecnológicas dos cidadãos para aproveitar os utilitários da cidade inteligente.

Conhecer o usuário, seus hábitos e seu comportamento de consumo, é importantíssimo para o sucesso de um projeto de smart city. O cenário ideal é que durante o processo de concepção do projeto, um representante de cada grupo de personas mapeados, estejam presentes colaborando com o desenvolvimento do produto.

* Personas são personagens fictícios criados em planejamentos que representam as principais características do público-alvo de um projeto ou produto.

Construir uma força de trabalho inteligente é outro ponto crucial para garantir que as iniciativas sejam adotadas. Assim, é possível garantir que todas as idades tenham acesso à tecnologia, à educação e tenham oportunidades de agregar valor e desempenhar um papel no desenvolvimento da cidade.

Conforme as indústrias enfrentam demandas crescentes por transparência e responsabilidade, principalmente no que diz respeito ao meio ambiente, os dados abertos surgiram como uma forma econômica de melhorar a transparência, a responsabilidade, a eficiência e a capacidade de resposta. Nesse sentido, é importante não apenas ter as habilidades tecnológicas para um uso eficaz, mas também estabelecer políticas de dados abertos.

Co-criação e conhecimento compartilhado

Para impulsionar a inovação e garantir que a cidade se esforce para conectar, proteger e melhorar a vida de seus cidadãos, as cidades devem procurar envolver as partes externas interessadas no projeto – empresas, startups, estudantes e pesquisadores. Através de equipes multidisciplinares, é possível desenvolver uma variedade maior de percepções, ideias e feedback, estabelecendo a cidade inteligente da maneira mais econômica e funcional possível.

Os ecossistemas de inovação estão cada vez mais concentrados geograficamente nas grandes cidades. Assim, é possível criar círculos de conhecimento compartilhado e capacidades diferentes bem conectadas dentro das smart cities, impulsionando a inovação exatamente de acordo com as necessidades locais. As estratégias de inovação podem ser decididas e conduzidas pelo próprio governo e autoridades locais ou pelo setor privado. Isso resulta em uma cultura inovadora no coração da cidade.

Falando em conhecimento compartilhado, 86% das cidades mais bem classificadas no relatório do Eden Strategy também estão frequentemente hospedando eventos como conferências e exposições.

Modelo de liderança

Ao estabelecer uma estrutura de cidade inteligente, é importante ter um modelo de liderança claramente definido. Algumas das cidades mais bem sucedidas em seus projetos de smart city utilizaram um único escritório dedicado para sua iniciativa, propondo caminhos flexíveis para a liderança evoluir naturalmente.

No entanto, outras cidades inteligentes de sucesso também optaram por um modelo de que distribui as responsabilidades entre departamentos, bem como formaram parcerias entre os setores público e privado.

Sustentabilidade e eficiência energética

Com o aumento da urbanização, industrialização e consumo, vêm os crescentes desafios ambientais. Entre as tecnologias que podem impactar a emissão de gases de efeito estufa, por exemplo, estão os sistemas de automação predial, a precificação elétrica dinâmica, os transportes sob demanda e os sinais de trânsito inteligentes.

A qualidade do ar também pode ser melhorada indiretamente por alguns dos itens acima, mas para lidar diretamente com esse desafio, é preciso implementar sensores de qualidade do ar pela cidade. Embora isso não resolva a poluição, a tecnologia pode identificar a fonte, possibilitando decisões mais assertivas, baseadas em dados. Estudos da McKinsey relataram que Pequim reduziu seus poluentes mortais em 20% em menos de um ano, apenas acompanhando de perto as fontes de poluição e regulamentando o trânsito e as construções a partir disso.

A tecnologia também pode ser aproveitada para a conservação da água, rastreando o consumo em conjunto com a medição avançada. A partir de sensores e análise de Big Data, seria possível identificar vazamento de canos antes mesmo que o problema viesse a acontecer, por exemplo.

Além disso, a redução de resíduos sólidos não recicláveis também é um ponto interessante na dinâmica das smart cities. Um exemplo dessa política pode ser encontrado dentro da própria construção civil, onde o volume de entulho produzido costuma ser até o dobro do lixo sólido urbano. Os novos projetos de construção, chamadas de construções smarts, propõem uma cultura de otimização e eficiência na gestão de resíduos e até mesmo nas dinâmicas de funcionamento da estrutura após a ocupação, com projetos inteligentes e totalmente integrados em todo o edifício.

“Na Amplus, faz parte da nossa cultura a separação dos resíduos de forma correta e enxergamos esse processo como algo não complexo no cotidiano”, nos conta o diretor de operações da Amplus Construtora, Paulo Victor Sbroggio. “Todavia, o desafio aparece quando buscamos parceiros especialistas na Gestão de Resíduos que teriam como objetivo a destinação correta dos substratos das obras, suportando o volume que nossos projetos demandam.”

Pensando nas cidades do futuro, a Amplus Construtora orienta todos os seus projetos sob uma visão inovadora aplicada na prática em cada um dos processos de planejamento e execução da obra. Com uma equipe de excelência, combinamos diferentes habilidades e utilizamos as melhores tecnologias para reformular processos comuns da construção civil. Clique aqui e conheça uma nova forma de construir!

Alexandre Roger