Como adaptar a sua construção para os transportes do futuro?

 

O homem inventou a roda por um motivo: facilitar a sua locomoção. Sabemos bem que esses termos em destaque só…

O homem inventou a roda por um motivo: facilitar a sua locomoção. Sabemos bem que esses termos em destaque só ganharam vida muito tempo depois; e claro, não estamos aqui para reinventar a roda, mas sim para transformá-la em uma ferramenta que se adapte cada vez mais à nossa realidade, facilitando nosso dia a dia, principalmente. 

A partir da roda, deu-se o que conhecemos hoje como transporte e, como já conversamos algumas vezes, a tecnologia vem influenciando a sua modernização, consequentemente, impulsionando o crescimento econômico de nossa sociedade. Exemplo disso é tornar possível que países negociem mercadorias e as comunidades sejam capazes de se conectarem umas com as outras. 

Então, vamos entender um pouco mais sobre a construção para os transportes do futuro e como você pode adaptar a sua?

As cidades do futuro

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Para falarmos sobre transporte do futuro é preciso entender, pelo menos, um pouquinho sobre as cidades do futuro

Pode parecer que uma “cidade do futuro” é aquela do desenho de Os Jetsons: muita tecnologia, robôs e carros voadores. Mas a realidade é um pouco mais palpável que isso. De acordo com o professor de arquitetura da PUC-PR, Clóvis Ultramari, em entrevista à revista Zapimoveis: 

A cidade do futuro é qualquer cidade porque ela é a cidade do amanhã. Inclusive, ela não é necessariamente melhor do que a de hoje. Ela pode ser parecida, melhor ou pior. […] As estruturas são pesadas e as mudanças tomam muito tempo.

Temos como exemplo Brasília, que um dia já foi considerada uma cidade do futuro. 

Tradicionalmente, uma cidade mais tecnológica e digital se enquadra no conceito de “cidade inteligente”. A ideia é que seja um espaço utilizado para potencializar mais a vida e não perder nenhuma oportunidade. Incluindo todo conhecimento, seja de urbanismo, arquitetura, administrativo e das relações humanas. 

O futuro dos transportes

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Carros voadores? Quem sabe, em breve. Os avanços na mobilidade urbana são crescentes e vem ajudando a impulsionar o crescimento econômico global cada vez mais, transformando a forma como conhecemos a vida. 

As tendências globais, a exemplo da urbanização e conectividade com a internet estão mudando a forma como as pessoas e os produtos circulam ao redor do mundo. A expectativa é que em 2050 o número de pessoas que vivem em cidades dobre. 

Esse superpovoamento trará consequências enormes para o nosso planeta e, consequentemente, para o nosso estilo e qualidade de vida. Daí, a necessidade de melhoria da eficiência de combustíveis e qualidade do ar, reduzindo a emissão de gases que causam a poluição tanto do ar quanto o dióxido de carbono (CO2) que contribui para a mudança climática global. 

Hoje já é possível notar um mosaico de combustíveis e motores em desenvolvimento: aqueles que serão adequados para viagens curtas em áreas urbanas e outros que terão melhor desempenho para viagens longas, entre cidades, por exemplo. 

Construção para os transportes do futuro

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As cidades possuem um objetivo em comum: aproximar as pessoas. Em pleno 2020, vemos que essa afirmação já não é 100% real. O cenário de isolamento social causado pela pandemia do CoVid-19 nos mostrou que ficar em casa é a melhor saída para nos protegermos.

Mas, apesar de toda a transformação digital que está acontecendo no mundo, não deixaremos de sair de nossas casas, fazer um passeio no parque ou, até mesmo, uma viagem para qualquer lugar do mundo. Em breve voltaremos às nossas rotinas mas, provavelmente com um olhar muito mais crítico e responsável. 

Indo mais além, é preciso que também estejamos conscientes que tudo precisará mudar. Como as construções. O termo “selva de pedra” já deixa de ser uma realidade de arranhas-céu cinzas e sem vida, para serem construções com curvas, cores e, principalmente, que contribuam de forma positiva ou, no mínimo, o menos agressiva possível para o meio ambiente. 

Calthorpe, um arquiteto que no final da década de 1970 ajudou a projetar um dos primeiros edifícios de escritórios estaduais com eficiência energética, que ainda existe em Sacramento, Califórnia (EUA) diz que: Se você realmente deseja afetar resultados ambientais e sociais, não é a formação de um único edifício que importa. É preciso construir pensando em comunidade.

E continua:

O problema com ambientes urbanos orientados para automóveis é que, se não houver escolha, se a única maneira de se locomover for de carro, vejam só, as pessoas vão usar carros demais. Demais para o clima, demais para os bolsos das pessoas, demais para a comunidade em termos de congestionamento, demais para o tempo das pessoas. Quero dizer, de cada maneira que você mede, tem um resultado negativo – nenhuma caminhada é uma receita para a obesidade. A qualidade do ar alimenta as doenças respiratórias.

Na década de 1990, Calthorpe marcou um grande avanço: ele ajudou a persuadir Portland, Oregon, a construir uma linha de metrô leve em vez de outra rodovia e a agrupar residências, escritórios e lojas ao seu redor. Isso é o que ele chama de desenvolvimento orientado para o trânsito.

A partir da reflexão do arquiteto americano, podemos perceber que as construções do futuro (ou melhor, de agora) precisam, e devem, ser pensadas para facilitar e melhorar a vida em comunidade, o social, o que é e o que virá. 

Se a indústria automobilística está fazendo a sua parte, buscando inovar, modernizar e utilizar ao máximo a tecnologia ao favor das pessoas, então a indústria da construção civil também precisa, mais que nunca, pensar em como favorecer não apenas as relações humanas mas, também as relações pessoas e cidade. 

De forma muito simples, Calthorpe diminui consideravelmente a utilização de veículos próprios ao convencer uma cidade a construir uma linha de metrô ao invés de outra rodovia; não apenas, também incentivou a construção de um bairro ao seu redor, diminuindo distâncias, consequentemente diminuindo a necessidade de utilizar o transporte individual. 

Fontes:
Zap
Shell
NatGeo