IoT e Big Data: o futuro da construção civil

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A Internet das Coisas (IoT) é definitivamente a grande tendência da construção civil brasileira nos últimos anos. Todo o burburinho…

A Internet das Coisas (IoT) é definitivamente a grande tendência da construção civil brasileira nos últimos anos. Todo o burburinho em torno dessa tecnologia é compreensível, visto que a previsão é de que em poucos anos, teremos dezenas de bilhões de dispositivos interconectados em todo o mundo. De acordo com o McKinsey Global Institute, o impacto econômico da IoT nas indústrias, empresas, escritórios e residências mundo afora pode totalizar até 11 trilhões de dólares em 2025.

As construções smarts são uma área-chave onde a Internet das Coisas está impulsionando o desenvolvimento. Conforme as construções vão se tornando mais complexas, esses edifícios passam a gerar grandes quantidades de dados. Geralmente, no entanto, os sistemas de gestão predial (BMS) ainda não aproveitam esses dados tanto quanto poderiam. Assim, a gestão do edifício acaba perdendo a captura de dados que poderiam servir para tomar decisões assertivas.

Com 42% da energia mundial sendo consumida por edifícios, os gestores das instalações estão enfrentando uma pressão cada vez maior por edifícios ecológicos e de alto desempenho, alinhando eficiência e sustentabilidade. Os dados coletados dentro dos próprios edifícios podem ajudá-los a alcançar esse objetivo.

Então, como transformar a enxurrada de dados gerados por dispositivos IoT e outros sensores em ações concretas e inteligentes?

Fazer mais com menos

Proprietários e investidores dos edifícios foram forçados a gerenciar construções sofisticadas com menos recursos nos últimos anos devido a reduções orçamentárias. Isso significa que o tempo de trabalho dos gestores é esticado, um problema ainda mais agravado por sistemas antigos, têm se tornado ineficientes com o tempo.

Mesmo quando há orçamento suficiente disponível, encontrar e manter funcionários com as habilidades e conhecimentos suficientes para realmente aproveitar as vantagens do BMS ainda é um desafio.

A gestão de um edifício inteligente também devem estar atento à manutenção das instalações. Componentes quebrados, descalibrados ou desgastados podem levar a um declínio acentuado na eficiência operacional de um edifício. Mudanças no uso e na ocupação do prédio também podem contribuir para problemas relacionados ao conforto dos ambientes e aos custos gerais de energia.

Para solucionar esses problemas, o ideal seria realizar junto aos engenheiros um projeto de recomissionamento, para ajustar as instalações do edifício e trazê-lo de volta ao seu melhor nível de operação. No entanto, é uma medida reativa e a manutenção tradicional pode não identificar todos os pontos de desperdício. As ineficiências operacionais menos óbvias ou que não resultam em desconforto para o ocupante correm o risco de passar despercebidas.

Capacitação

Na última década, muitas ferramentas foram lançadas no mercado para ajudar os funcionários dos edifícios a compreender melhor suas instalações, auxiliá-los em suas operações diárias e no planejamento a longo prazo. Isso pode incluir qualquer coisa, desde painéis e plataformas analíticas automatizadas até mecanismos otimizados de machine learning. Porém, assim como os BMS sofisticados, para cada ferramenta é necessário investir em treinamento.

Conforme a mesma pesquisa, a falta de treinamento é evidente nesse mercado. Com cerca de apenas 20% dos gestores de edifícios inteligentes usando todos recursos disponíveis em seu BMS. Os 80% restantes usam uma quantidade muito limitada (cerca de 20%) das funções de seu sistema.

Com uma alta rotatividade de pessoal e cargos, muitas instalações ficaram sem funcionários com tempo para aprender todos os recursos dessas ferramentas. Certamente, terceirizar funções é uma opção, mas mesmo assim os fornecedores do serviço devem ser gerenciados de perto para garantir a eficácia e para assegurar que os custos da terceirização não aumentem consideravelmente.

O papel da Big Data

Como o BMS desempenha um papel cada vez maior na forma como os gestores realizam o seu trabalho e operam os edifícios, a tecnologia se tornou uma parte central na gestão desses locais.

As tecnologias mais recentes, que permitem a visualização das métricas de desempenho de todas as instalações do edifício em uma única janela, tem ajudado a identificar tendências e diagnósticos mais precisos. Ao organizar os dados de maneira visual, utilizando gráficos, tabelas e conversões de diferentes unidades (por exemplo, kWh em reais ou kWh em pegada de carbono), um operador de construção experiente pode identificar as áreas críticas para uma inspeção mais detalhadas.

Embora essas ferramentas possam ser úteis para determinar o comportamento da construção, os dados costumam ser complexos e, portanto, difíceis de interpretar. Mesmo que a equipe de construção tenha tempo e habilidades para revisar e compreender os dados, as informações do software por si só revelam apenas parte do desempenho da construção.

Ele permite que os gestores identifiquem onde existem ineficiências, mas não explica necessariamente por quê. O motivo requer investigações adicionais. É aí que entra a Big Data. Os painéis de dados são mais eficazes quando utilizados para monitoramentos simples em ambientes, onde há uma equipe treinada para solucionar problemas pela raiz, identificando as devidas causas.

Analytics é a resposta

A Big Data surge aqui como resultado dessas complexidades. A fim de obter mais informações úteis, muitos gestores de edifícios estão recorrendo aos softwares de análise de dados para interpretar os grandes volumes de dados gerados pelo BMS.

O software analisa automaticamente o uso de energia pelos equipamentos, identifica falhas, fornece a análise da origem dos problemas e prioriza as melhores soluções com base no custo, no conforto e no impacto gerado pela manutenção.

Esse software complementa o BMS porque traz a etapa adicional de interpretação dos dados. Mostrando não apenas onde, mas por que estão ocorrendo falhas. Os engenheiros podem então converter essa inteligência em ações concretas para solucionar os problemas e desenvolver uma manutenção preventiva. Além disso, os softwares de Big Data Analytics dão mais suporte a desafios operacionais mais complicados.

Usando esse software, os gestores do edifício smart podem otimizar e comissionar as operações da construção de forma mais eficaz do que seria utilizando apenas o BMS. Isso irá permitir que eles entendam por que o edifício está ou não operando de maneira eficiente e possam introduzir soluções permanentes em vez de medidas temporárias.

Só para ilustrar, por meio da análise de dados a equipe poderá identificar equipamentos que precisam ser consertados ou substituídos, por exemplo. Dessa forma, o programa permite que essa medida seja tomada antes de uma falha crítica, que teria impacto direto sobre os ocupantes do edifício. Assim, os reparos podem ser agendados antes que surja uma emergência, eliminando o risco de elevar os gastos devido a substituições de curto prazo ou consertos fora do expediente.

Com essa abordagem proativa, os equipamentos se tornam mais seguros. Os custos de substituição e reparos podem ser muito menor e os ocupantes têm o conforto garantido.

O futuro

À medida em que as construções smart vão se desenvolvendo, as tecnologias 4.0 agora disponíveis nos edifícios nos levam além da capacidade humana de gerenciar a informação. Produzida pelas centenas de milhares de pontos de dados em grandes edifícios.

Operações eficientes requerem respostas proativas. As soluções de Big Data gerenciam com eficácia a situação de sobrecarga de informações criada pelo mundo digital. Assim, a gestão do edifício pode fazer o melhor uso possível de seu tempo e orçamento.

A análise de Big Data traz a visão de como corrigir problemas assim que eles são identificados, muito antes do falha total. Essa abordagem de manutenção preditiva, significa que os bens de produção podem ser preservados e economias significativas de energia podem ser feitas.

O advento da IoT significa que devemos mudar nossa abordagem de gerenciamento de edifícios a fim de cumprir as metas financeiras, de bem-estar e sustentabilidade na era smart. Sem a análise adequada, os dados por si só são inúteis. Ao investir em um BMS sofisticado, os usuários podem descobrir quais dados realmente precisam de sua atenção com a ajuda da análise de Big Data.

A Amplus é uma construtora interessada em construir esse futuro na prática. Empregando as melhores soluções em tecnologia em nossos projetos, buscamos sempre a melhor maneira de aumentar a eficiência operacional, o conforto dos ocupantes e otimizar o consumo de energia e outros recursos, estimulando o crescimento financeiro dos empreendimentos de nossos clientes.

Alexandre Roger