Os impactos do novo coronavírus na construção civil

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A construção civil no Brasil se vê diante de um grande desafio: enfrentar as adversidades impostas por uma pandemia e…

A construção civil no Brasil se vê diante de um grande desafio: enfrentar as adversidades impostas por uma pandemia e reduzir ao máximo os danos que podem ser causados a nível social e econômico. As atividades do setor são imprescindíveis inclusive nesse momento tão delicado: estruturas de segurança e unidades de saúde são construídas e mantidas por esses profissionais. Consideradas essenciais nesse contexto, a paralisação total não tem sido uma opção geral, principalmente quando se trata da entrega de moradias, leitos hospitalares ou mesmo de espaços que possibilitem o funcionamento adequado de serviços públicos.

Enquanto o governo e a Câmara Brasileira da Indústria Civil (CBIC) se articulam para encontrar medidas de enfrentamento e temendo os prejuízos irreversíveis ao estado e às empresas responsáveis, a construção civil não parou diante da crise e muitos canteiros de obra continuam funcionando, sob permissão e orientações das instituições do governo. O Plano de Contingência Nacional para a Infecção Humana pelo novo Coronavírus – COVID, estabelecido pelo Ministério da Saúde, determina as normas de segurança nos canteiros de obra e os cuidados com a saúde dos trabalhadores.

A natureza da operação de um canteiro de obras facilita a aplicação destas normas. Uma vez que é um ambiente aberto e, embora cercado, não é destinado ao atendimento à população, aglomerações são incomuns mesmo fora do contexto da pandemia. As pessoas que circulam no local em geral são apenas os envolvidos no trabalho e os procedimentos de saúde e proteção dos trabalhadores já são muito rígidos mesmo sob condições normais. No entanto, nos canteiros de obras operantes agora os cuidados serão redobrados.

Confira medidas de segurança para o canteiro de obras

Nas obras onde a suspensão é inviável, as recomendações de segurança da CBIC e do Ministério da Saúde devem ser seguidas à risca para evitar ao máximo as possíveis contaminações no local de trabalho. Algumas delas são:

  • Suprimento suficiente de sabonete e toalhas de papel nos banheiros;
  • Álcool em gel deve ser disponibilizado em vários pontos do local, principalmente onde não é possível lavar as mãos com água e sabão;
  • Maçanetas, pias e corrimãos devem ser constantemente higienizados, de preferência com álcool a 70%;
  • Intensificar a limpeza de áreas comuns, como banheiros e refeitórios;
  • EPIs, ferramentas e equipamentos também devem ser frequentemente higienizados;
  • Encontros e viagens devem ser adiados ou substituídos por videoconferência, sempre que possível;
  • Orientações e treinamentos sobre higiene e prevenção da doença devem ser disponibilizados à equipe de funcionários da operação;
  • Se algum funcionário estiver com suspeita de contaminação, deve ser encaminhado a uma unidade de saúde e ficar em casa até a confirmação do diagnóstico. A Lei 13.979/2020 justifica a ausência sem nenhum prejuízo ao trabalhador.

Paulo Victor Sbroggio, diretor de operações da Amplus Construtora, nos explica como essas orientações têm sido aplicadas na prática e comenta sobre os impactos dessa situação no trabalho da Amplus:

“Pensando nos canteiros de obra, no “chão de fábrica” da construção, as atitudes tomadas pela Amplus seguem à risca as recomendações da CBIC e do Sinduscon-GO. Primeiramente, as obras Amplus estão paralisadas, com exceção da expansão de um hospital em Goiânia. 

Para esse projeto produzimos, de acordo com as recomendações dos órgãos citados, um Plano de Contingência contendo revezamento e separação dos funcionários em turnos de entrada, saída e alimentação, e designando áreas exclusivas para lavagem das mãos e utilização de álcool gel. Também foi entregue um kit de higiene a cada operário, levando para casa uma cartilha de orientação de conduta, sabonete ou sabão de coco e máscara para ser usada exclusivamente em seu familiar do grupo de risco. Outra ação que também está sendo aplicada é a realização dos DDS’s (Diálogos Diários de Segurança voltados à prevenção da proliferação do vírus), reforçando, se possível, a utilização de transporte próprio ao invés do público. E, além de tudo, o principal: mantendo os funcionários nos seus cargos, resguardando o viés socioeconômico de cada colaborador.

Diante disso, o que percebemos é que temos que aproveitar o momento para salientar e mostrar aos clientes a importância de processos que antecedem à obra. Contratar equipes multidisciplinares, pensando como um todo no seu projeto é a chave do sucesso, por isso estamos realizando várias lives e conteúdos para gerar essa cultura. A Amplus está analisando cada fator de risco e planejando suas decisões para que, quando os canteiros voltarem com tudo, estejamos mais preparados e fortes para entregarmos produtos únicos!”

Paulo Henrique Barbosa, CEO da empresa, também comenta o seu ponto de vista da situação e a posição da construtora diante do atual contexto:

“Eu, particularmente, evito emitir opinião sobre o tema não tenho informações suficientes e nem conhecimento para isso, pois é um assunto extremamente delicado, que demanda tomadas de decisões muito complexas e de alto risco. Saúde e economia têm as suas importâncias e só torço para que os que estão tomando as decisões, tenham clareza e sejam o mais assertivos possível, minimizando os danos para nosso estado e para o país como um todo.

Aqui na Amplus, toda a equipe de gestão está trabalhando de casa, e confesso que tem sido uma experiência surpreendentemente positiva, sem quedas de produtividade e com o surgimento de soluções interessantes, o que comprova o engajamento da equipe e cultura enraizada na empresa. 

Gosto sempre de olhar para o lado positivo das situações, e as grandes oportunidades e disrupções dos mercados surgem em momentos adversos como este atual, os chamados “cisnes negros”. Estamos trabalhando com criatividade, para reinventar a empresa e trazer soluções para minimizar a queda de receita das obras em andamento e de obras que se iniciariam e serão adiadas. Todavia, não alteramos nossas metas, e vamos dobrar nossos esforços para batê-las, mesmo com o contexto atual.”

Em suma, assim como a Amplus, a indústria da construção civil no país como um todo tem adotado uma postura proativa diante do problema. Com a responsabilidade de aplicar todas as orientações de segurança, o compartilhamento de informações úteis entre todos e a sensibilidade de adaptar-se à situação, espera-se que o setor atravesse esse período conturbado com os menores transtornos possíveis.

Fique em casa, se possível, e confira os outros artigos do nosso blog!

Alexandre Roger