Saneamento básico e a relação com a pandemia de Covid-19

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O saneamento básico é a composição de serviços, infraestrutura e instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana…

O saneamento básico é a composição de serviços, infraestrutura e instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo de águas pluviais, segundo a Lei n° 11.445/20071.

No cenário atual, o Brasil possui 18% da população com o esgoto coletado, porém sem tratamento. Outros 27% não recebem nenhum tipo de atendimento de coleta e tratamento sanitário2. O esgoto gerado pela cidade, quando lançado sem tratamento adequado em rios, lagos e oceanos, impactam na qualidade da água e, consequentemente, na saúde das famílias.

A importância do saneamento básico, dentre outros motivos, se dá devido a possibilidade de transmissão de doenças via fecal-oral. Dentre estas doenças, podemos destacar a Covid-19 que é causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), que teve o surto inicial na cidade de Wuhan, na China.

Relação entre saneamento básico e o novo coronavírus

Através de um estudo realizado em 2020, verificou-se amostras respiratórias e de fezes de 74 pacientes. Em 33 pacientes, as amostras de fezes foram negativas para o vírus. Enquanto isso, as amostras respiratórias se mantiveram positivas por uma média de 15,4 dias desde a apresentação do primeiro sintoma. Em 41 pacientes com amostras fecais positivas, as respiratórias continuaram positivas para a SARS-CoV-2 por um período médio de 16,7 dias e as fecais por 27,9 dias após o começo dos primeiros sintomas.

Como os dados indicam que o vírus pode durar por quase cinco semanas no ambiente após os testes das amostras respiratórias se tornarem negativos, é possível a ocorrência da transmissão fecal-oral. O conhecimento em relação ao contágio pelas fezes da Covid-19 ainda é recente e não há casos de transmissão fecal-oral registrados, mas é necessário avaliar o risco potencial de transmissão3.

Com estas informações sobre a Covid-19, a afirmação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que, para cada dólar investido em saneamento básico, obtém-se aproximadamente seis vezes mais economia em gastos com saúde, torna-se ainda mais presente. Além disso, sinaliza a importância de aplicações financeiras pelo governo para coleta e tratamento de esgoto4.

Saneamento básico e a engenharia

Os profissionais da engenharia têm a função de desenvolver soluções para o saneamento básico no país.  São eles que irão avaliar a carga de poluição e de contaminantes dos efluentes. Consequentemente, vão definir também qual o processo de tratamento é mais indicado para cada caso.

Quando não há rede coletora e de tratamento em um imóvel, uma solução possível é implantar o sistema de tratamento individual do tipo fossa-filtro-sumidouro. No entanto, esse processo deve passar por aprovação da prefeitura antes da execução, que consiste em:

  • Caixa de gordura: os efluentes gerados em pias de cozinha e máquinas de lavar louças são direcionados para este dispositivo para que seja evitado o acúmulo de gordura nas paredes das tubulações e consequente entupimento da rede;
  • Fossa séptica: nesta etapa do processo ocorre a separação dos materiais sólidos e líquidos contidos no esgoto, através da ação da gravidade os materiais sólidos se sedimentam. No fundo da fossa é gerado um lodo por conta dos resíduos que ficam retidos e, por isso, é necessário fazer a manutenção e limpeza periodicamente;
  • Filtro anaeróbico: aqui a água passa por pedra brita contida no interior do filtro possibilitando o crescimento de microrganismos que oxidam os poluentes do esgoto;
  • Sumidouro: esta é a última parte do processo, em que o efluente que recebeu um tratamento primário nas etapas anteriores infiltra no solo.

Para habitações residenciais, este tratamento pode ser eficiente, desde que dimensionado corretamente e com manutenções periódicas.

O sistema de tratamento fossa-filtro-sumidouro atende grandes empreendimentos?

Em condomínios, indústrias e empreendimentos o volume de esgoto gerado é elevado. Por isso, quando não se tem atendimento das concessionárias em relação à coleta dos efluentes, é preciso buscar outras alternativas, visto que o sistema fossa-filtro-sumidouro não conseguirá atender de maneira eficiente.

Para estes casos, a solução pode ser a instalação de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), em que o tratamento é composto por processos físicos, químicos e biológicos. Dentre as etapas de tratamento, destaca-se:

  • Gradeamento: consiste na remoção de resíduos que são maiores que as aberturas entre as grades;
  • Sedimentação: por meio da ação da gravidade as partículas que estavam suspensas sedimentam de modo que não sejam suspensas novamente pela ação das correntes de água;
  • Coagulação química: etapa em que é utilizado substâncias químicas para formação de flocos coagulantes para auxiliar na sedimentação da matéria;
  • Oxidação biológica: operação em que microrganismos decompõem a matéria orgânica.

Após o tratamento adequado o esgoto é devolvido para a natureza.

Os benefícios das ETEs em condomínios

A implantação de ETEs em condomínios está se popularizando. Primeiro, porque é exigido por lei que os que empreendimentos localizados em áreas sem rede de esgoto tenham suas próprias ETEs. Segundo, por ser um sistema que está se tornando mais acessível economicamente. Além disso, esse sistema reduz impactos ambientais.

Um exemplo prático disto é o empreendimento Lagoa Eco Towers, no município de Caldas Novas. Ele contará com uma ETE devidamente dimensionada para receber e tratar os efluentes gerados por 480 apartamentos e demais ambientes da área comum do complexo. Dessa forma, será possível a reutilização e descarte adequado no meio ambiente.

É claro que o melhor sistema deve ser avaliado caso a caso junto à construtora e seus respectivos projetistas. Neste processo deve-se observar alguns itens junto ao cliente, tais como:

  • a complexidade do efluente gerado pelo empreendimento para determinar o tratamento adequado;
  • se o espaço disponível no lote permite a implantação e operação da ETE;
  • analisar o investimento não só para a construção da estação, mas também os custos gerados com a manutenção periódica e operação do sistema;
  • os custos operacionais gerados com contratação de mão de obra.

Indo além, é importante salientar um caminho que muitas construtoras estão propondo: o desenvolvimento sustentável dos novos empreendimentos imobiliários. Dessa forma, é possível evoluir os seus sistemas, projetando-os para possibilitar o reuso de águas pluviais e águas cinzas.

Quer saber mais sobre saneamento básico e engenharia civil? Ou como seu projeto pode ser mais sustentável e com menos custos? Entre em contato e vamos conversar!

Thaís Lustosa